14/09/2026

Como Cuidar da Audição

Por — editor do Palavra Boas Novas

Mulher usa fones de ouvido enquanto segura o celular em casa

Você costuma aumentar o volume dos fones para vencer o barulho da rua? Sai de um evento com um zumbido no ouvido? Ou percebe que precisa pedir às pessoas que repitam o que disseram?

A audição participa de conversas, do trabalho e de momentos de lazer. Nem toda dificuldade para ouvir pode ser evitada, mas é possível reduzir a exposição a ruídos capazes de causar danos. Também é importante reconhecer mudanças que precisam de avaliação profissional.

Cuidar da audição não significa deixar de ouvir música ou abandonar os fones. Significa prestar atenção ao volume, ao tempo de exposição e aos sinais que o corpo apresenta.

Entenda o efeito dos sons altos

O risco para a audição não depende apenas de um som parecer desagradável. Também importa quanto tempo você fica exposto a ele e com que frequência isso acontece.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), quanto mais intenso o som, menor é o tempo de exposição considerado seguro. Como referência para adultos, a organização apresenta este exemplo: a 80 decibéis, até 40 horas por semana; a 90 decibéis, quatro horas.

Esses números não são um convite para calcular no ouvido quanto tempo ainda se pode ficar em um lugar barulhento. Na vida cotidiana, geralmente não sabemos a intensidade exata do som. A medida mais prática é reduzir o volume, limitar a exposição e se afastar da fonte do ruído quando possível.

Use os fones sem exagerar no volume

Fones podem ser úteis para estudar, trabalhar e se divertir. O cuidado começa quando o volume precisa ficar muito alto, especialmente para encobrir o barulho do ambiente.

A OMS recomenda manter o volume dos aparelhos pessoais abaixo de 60% do máximo e usar recursos que ajudem a acompanhar ou limitar a exposição sonora. Esse percentual é uma orientação prática; ele não substitui uma medição do som que chega aos ouvidos.

No dia a dia, experimente:

  • Começar a reprodução em volume baixo e aumentar apenas se necessário;
  • Fazer pausas durante períodos longos de escuta;
  • Usar os alertas de volume disponíveis no celular;
  • Preferir fones bem ajustados ou com redução de ruído em ambientes barulhentos, se tiver acesso a eles;
  • Evitar compensar o barulho externo elevando continuamente o volume.

Se você termina uma sessão de música, jogo ou trabalho com zumbido ou sensação de audição abafada, não trate isso como parte normal da experiência. Reduza a exposição. Se o sintoma persistir, procure avaliação profissional.

Proteja-se em ambientes barulhentos

Shows, festas, ferramentas elétricas, trânsito e máquinas de trabalho podem expor os ouvidos a sons intensos. Não é preciso deixar de participar dessas atividades para tomar alguns cuidados.

Em locais de lazer, afaste-se das caixas de som, faça intervalos em áreas mais silenciosas e considere usar protetores auriculares adequados. A OMS observa que, se você precisa levantar a voz para conversar com alguém a aproximadamente um braço de distância, o ambiente pode estar alto demais.

No trabalho, utilize a proteção auditiva indicada para a atividade e siga as orientações de segurança. O protetor precisa estar bem ajustado para cumprir sua função. Se o ruído faz parte da rotina profissional, converse com os responsáveis pela segurança sobre formas de reduzir a exposição; o cuidado não deve depender apenas de você.

Marceneiro usa protetores auditivos e óculos de proteção em uma oficina
Não coloque objetos dentro do ouvido para limpá-lo

A cera do ouvido costuma gerar preocupação, mas ela tem uma função de proteção. Tentar retirá-la introduzindo cotonetes, grampos ou outros objetos no canal auditivo pode empurrá-la para dentro e machucar a região.

A orientação do MedlinePlus, serviço da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, é não inserir objetos no canal para remover a cera. A limpeza da parte externa do ouvido pode ser feita com cuidado, sem tentar alcançar o interior.

Se houver sensação de ouvido obstruído, desconforto ou dificuldade para ouvir, não presuma que a causa seja apenas cera. Um profissional poderá examinar o ouvido e indicar o cuidado apropriado. Evite usar gotas ou métodos caseiros por conta própria, sobretudo se houver dor ou secreção.

Observe mudanças na maneira de ouvir

A perda auditiva nem sempre começa de forma evidente. Algumas pessoas percebem primeiro que as falas parecem abafadas ou que acompanhar uma conversa em lugar movimentado ficou mais difícil.

Preste atenção se você:

  • Pede com frequência que as pessoas repitam o que disseram;
  • Tem dificuldade para entender palavras ao telefone;
  • Precisa aumentar cada vez mais o volume da televisão;
  • Deixa de perceber sons que antes ouvia;
  • Apresenta zumbido persistente.

Esses sinais não permitem descobrir sozinho a causa do problema. A OMS recomenda verificar a audição quando surgem dificuldades para entender conversas ou zumbido persistente. Uma avaliação pode esclarecer o que está acontecendo e quais cuidados são necessários.

Perda súbita de audição exige atendimento rápido

Se você perder a audição de repente, em um ou nos dois ouvidos, procure atendimento médico com urgência. Não espere alguns dias para ver se melhora nem tente resolver a situação apenas limpando o ouvido.

A perda súbita pode ter diferentes causas, e algumas exigem tratamento rápido. O serviço público de saúde britânico, NHS, também orienta buscar ajuda urgente quando a audição piora ao longo de dias ou semanas ou quando a dificuldade para ouvir vem acompanhada de dor ou secreção.

O ponto principal é não tentar distinguir essas causas em casa. Um profissional precisa examinar o ouvido e decidir se são necessários outros testes.

Ajude crianças e adolescentes a criar bons hábitos

Crianças e adolescentes também usam fones para aulas, jogos, vídeos e música. Em vez de apenas proibir, vale ensinar por que o volume importa e configurar os recursos de limite disponíveis nos aparelhos que utilizam.

Quando for possível, alternem o uso de fones com caixas de som em volume confortável e façam pausas. Em passeios e eventos barulhentos, mantenham as crianças afastadas de fontes intensas de som e considerem proteção auditiva apropriada.

Se uma criança parece não responder quando é chamada, pede muitas repetições ou apresenta dificuldades para acompanhar a fala, converse com um profissional de saúde. Nem toda alteração tem relação com fones ou ruído, e uma avaliação é mais útil do que tentar adivinhar a causa.

Comece com uma mudança simples

Você não precisa medir todos os sons à sua volta para começar a cuidar da audição. Escolha um hábito que possa colocar em prática hoje:

  1. Confira o volume que costuma usar nos fones;
  2. Ative os alertas ou limites de som disponíveis no aparelho;
  3. Faça pausas quando passar muito tempo ouvindo áudio;
  4. Afaste-se de caixas de som e outras fontes de ruído intenso;
  5. Procure avaliação se notar dificuldade para ouvir ou zumbido persistente.

Ouvir bem faz diferença na forma como nos comunicamos e participamos da vida cotidiana. Reduzir a exposição a sons altos é um cuidado possível agora; perceber uma mudança na audição e buscar ajuda no momento certo é igualmente importante.

Este texto tem finalidade educativa e não substitui avaliação médica ou fonoaudiológica.

Nenhum comentário:

Postar um comentário